Mudanças, limites e acumulação de experiências
Sem ultrapassar limites...
Giovanna Marques
10/29/20263 min read
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Todo mundo muda o tempo todo.. ou a gente sempre continua o mesmo? As coisas mudam ou somos nós que mudamos sobre as coisas? Tem coisa que muda sem perceber, corpo, cabeça, amizade, lugares, cidades.. o tempo todo é único, então nenhum momento vai ser igual.
Heráclito fala muito né, que o rio muda e é sempre o mesmo endereço, mas aquela água corre. São fluxos, são fases. E se tudo muda, por que esperamos que algumas coisas sejam para sempre ou permanentes? As nostalgias até existem, mas depois de certas vivências, já era. O medo da mudança também é se tudo der errado, se perder tudo ou se arrepender.. mas e o risco de continuar exatamente do jeito que você está? Mudar de opinião é normal, eu mudo todos os dias. Gratidão às pessoas que me fazem mudar todos os dias.
Existe também a crise pensativa, que faz parar para ver o tanto de coisa que podia ter sido diferente.. mas ficar horas num perfeccionismo desnecessário não rola. Quem precisa ver os meus conteúdos vai ver, quem precisa ver os seus também vai. Como eu sempre falo pro pessoal... só faça, e vai aprendendo sem comparação e sem arrependimento.
Sócrates já tinha a ideia de reconhecer a própria ignorância, porque parece feio admitir erros, mas é amadurecimento. Nas aulas de filosofia, todo final de aula falam "boa morte" e é um renascimento todas as vezes. Todo pensamento te traz mudanças e transformação, todos os dias você está matando uma parte de si para renascer outra mais evoluída. Mas às vezes você vai precisar de metas fáceis e remanejamento até alcançar.
Toda mudança boa é uma transformação, uma evolução. E mesmo com uma essência que não muda, ela serve de embasamento para ser maior e melhor. Eu era super brava, juro que organizo meu ódio, mas muitas vezes a gente usa o ódio de combustível, não tem nem opção, e transforma malefícios em benefícios. Eu fiz isso a vida toda, nasci com os olhos tremendos, tenho nistagmo, movimentos involuntários e dificuldade com focalização, preciso estar olhando sempre para o lado direito para ter foco. Mas perto de tanta diversidade, não é nada.
O que eu puder fazer para evitar ou mudar algum pensamento, reflexão ou ensinamento, mesmo estando errada, eu vou fazer a minha parte até entender. Com respeito, tanto ao próximo quanto a mim mesma. Temos que nos respeitar para não deixar nossos limites serem ultrapassados nesse processo de mudança.
Muitas pessoas ainda explodem, e é um processo natural a ser desenvolvido, com amor, educação e construção coletiva. Seja num trabalho, num projeto, numa relação ou numa nova ação na rotina. Ouvindo isso aqui você já está mudando um pouquinho do seu dia.
As versões atualizadas dos nossos seres estão sempre aí. No meu caso, a criança descobrindo o mundo, a skatista que começou a aprender, que competia, que começou a ensinar, a criar, a ser árbitra, a mexer com tecnologia, filosofia, que criou projetos, planejou, desenvolveu e fez acontecer. Nenhuma matando a anterior, mas acumulando experiências.
As mudanças diárias são planejadas, seja em códigos, projetos ou manobras. Você tem que treinar todo dia, tentar, bater mais. Nem toda mudança é evolução, você pode mudar de cidade, emprego ou relacionamento e levar os problemas juntos. A mudança está na decisão de fazer diferente, e de resolver as coisas.
Como questionava Epicuro, o que precisamos para viver bem? Nem toda mudança precisa ser para mais, às vezes é para menos: menos barulho, menos pessoas, menos cobranças. O que eu preciso mudar na sociedade, na minha família? Será que consigo mudar o próximo? O próximo só vai te ouvir se quiser.
Na cena do skate, o que precisa mudar? na sua rua, no seu bairro? O que dá para fazer, o que é prioridade? Reflexões sobre a mudança.
Tamo junto! Obrigada por ouvir!
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